Nina

4 nina 3

Deitados estão
Com suas mãos entrelaçadas

Olhos
Ambos escuros
Profundos
Como se escondessem, cada qual, buracos negros em suas órbitas
Se engolem em sua fome insaciável de toda matéria provinda do outro

Se encaram e sorriem
Sabem que sua espera é finda
Sabem que estão finalmente no lugar certo
No único momento
Do espaço-tempo
Que é imutável

Precisavam estar ali
Garoto e Nina

Ele, indecifrável
Porém sempre disposto a entrar na pele alheia para resolver seus quebra-cabeças
Finalmente não precisou remontar ninguém

Ela, aberta, porém receosa
Não tem mais medo do mundo
Sabe que salvadora é
E que veio retirar a solidão
Veio como firme mão
Retirá-lo da bolha
Da perdição
Do espaço profundo
Da dor, do mundo

Sabem de si
E um do outro
São ao alheio
Mais valiosos que ouro
Ela não tem medo dele
E ele, sabendo disso, consegue controlar seus monstros
Para poder viver
Tudo que lhe fora negado

Seus olhos
Sorriem
Mais que suas bocas
Entrelaçados em beijo eterno
Íris-a-Íris
Mesmo que não se possam distinguir das pupilas-escuridão

Neste dia
Todos passam a ser colaboradores
Tempo, sempre amargo, esquece-se de passar
Para poder apreciar
O espetáculo do amor

E com um sorriso ébrio
Vem a ele perguntar
“Porque tanta demora?
Onde estavam?
Para, antes, não se encontrar?”

Garoto,
Sem palavras
Responde que não era hora
Que sóbrio tempo havia acertado
Pois ali deviam se encontrar
E por isso, era agradecido

Silencio
Frio como aço em geleira
Observa tudo de longe
E pela primeira vez, sussurra
“Sorte”

Garoto agradece-o também
Pois o viu em sua sina
E não fosse seus ensinamentos
A quietude em dados momentos
Não saberia lidar com sua menina

Medo
Contrariamente a tudo
Com seu sorriso amarelo
Não traz seus toques singelos
Não diz que tudo dará errado
E não o julga por seus pecados

Talvez num jogo de luzes
Uma ilusão de ótica
No canto dos olhos
Garoto vê um novo fulgor
Um leve brilho
Leve calor
De um verde-esperança
Uma chama criança
Queimando em seus medos

Vento amigo
Mais uma vez
Sem nenhuma dúvida
Nenhum dos porquês
Levanta bufando
Ao ver respirando
O seu companheiro

Suspira de novo
O não-mais-um-menino
Agora homem feito
Por tal desatino
Retorna alguns anos
Pra sentir o amor

Como de um adolescente
Brinca e pula
No peito do mesmo que um dia o negou

Um coração
Que nunca parou
Nunca desistiu
E por mais que escondido
Sempre amou

E se o faz
É por que é sagaz
E pode sentir
Tão perto de si
Um outro, irritado
Batendo tão forte
Quase querendo sair

Assim, sorrindo
Pensa em tudo
Garoto agradece
Aos seus companheiros

Por a terem trazido
O feito esperar
Aprendido a ouvir
E a não se iludir

A espera acabou
O medo passou
O silencio falou
E o vento, caro amigo
Bênçãos soprou

for nina 2
Quando chegar o dia a gente vai saber que as mãos tem o encaixe perfeito 🎶
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s